A Assembleia Municipal de Ansião aprovou por maioria, com os votos favoráveis dos deputados do PS (12) e as abstenções do PSD (13), CHEGA (1) e MIASP (1) o Relatório de Prestação de Contas de 2022 da Câmara Municipal. Um relatório que plasmou uma receita de 15,9 milhões de euros e uma despesa no valor de 14,3 milhões de euros que resultou num saldo de gerência transitado para 2023 de 1,6 milhões de euros.
Ao apresentar o documento, António José Domingues frisou o investimento de 5,7 milhões de euros, catalogando-o como “o maior dos últimos 10 anos”. Isto num cenário de “ano difícil, afetado pela inflação e escassez de matérias primas”, ressalvou o presidente de Câmara, considerando em relação à execução orçamental das grandes opções do Plano, que estas tiveram “uma realização bastante satisfatória”.
OPOSIÇÃO FALA EM FALTA DE VISÃO E ESTRATÉGIA
Números que não convenceram o deputado social democrata Leonel Morgado. No papel de líder de bancada da oposição, devido à ausência de Rui Rocha, Morgado considerou que “passaram seis anos e continuar a não haver um investimento estratégico ou estruturante da responsabilidade deste executivo”, dizendo que o orçamento de receita “só é conseguido à custa das transferência de competências do Estado” e não “devido a projetos candidatados”. O deputado do PSD alertou também para o aumento crescente do quadro de pessoal da autarquia que “não se tem refletido no aumento de iniciativas”. Criticou ainda o atraso de algumas empreitadas, considerando “caricato” que a ampliação do Camporês tenha sido inaugurada há um ano e “ainda não esteja pronta a disponibilizar lotes”. Terminou, criticando o “desejo do executivo de gastar em iniciativas de visibilidade imediata e não ter planeamento estruturante de futuro”.
Também Sérgio Pires (PSD) criticou a estratégia do executivo. Disse que se trata de “mais do mesmo”, referindo ser notória a “inércia na execução de obras”, talvez por “cansaço ou acomodação”. Na sua opinião, a taxa de execução só se situou acima dos 85% “devido a 4 ou 5 revisões feitas ao longo do ano, que dariam para fazer bem melhor”. Mostrou preocupação pelo “galopante aumento da despesa corrente” e pelo “descontrolo nos encargos com pessoal”, dados que “podem comprometer a situação do município a médio prazo”.
Da mesma bancada, Fernando Silva lamentou que o relatório fosse “idêntico ao dos últimos quatro anos, revelando “pouca ambição, visão, imaginação, pouco avanço e pouco futuro”. “Não vemos linha estratégica por parte deste executivo”, considerou.
PS DESTACA EXECUÇÃO ORÇAMENTAL DE 85%
Na defesa da gestão camarária, o líder da bancada do PS disse “ser de louvar uma execução acima de 85%, ainda por cima num ano muito complicado”, contrariando “as perspetivas pessimistas da oposição aquando da discussão do orçamento”.
Elogios também para a política de aumento crescente das transferências para as freguesias e coletividades, que ascendeu a 1,6 milhões de euros. “Estamos paulatinamente a aumentar as transferências, a apoiar mais as nossas coletividades e freguesias, a dar-lhes mais independência financeira”, referiu aludindo ao “aumento de 200 mil euros para as associações e mais 33 mil euros para as Juntas de Freguesia”.
Procurando desmistificar a observação do PSD referente ao mapa de pessoal, o deputado do PS disse que, descontando as contratações por força da assunção de competências na área da Educação, “a autarquia ficaria com um quadro ao nível do que tinha em 2008”.
“O executivo está de parabéns e os números não enganam: as contas estão à vista e as obras estão lá fora”, destacou.
Também Rui Nogueira (PS) foi elogioso para a gestão camarária. Disse que o relatório plasma “uma excelente estratégia” e que Ansião “é um concelho próspero e a desenvolver-se”, salientando a “diminuição de dívida e o aumento do investimento em 54%”.
“AINDA VAMOS A TEMPO DE FAZER O QUE NÃO FOI FEITO”
O presidente da autarquia respondeu às críticas da bancada da oposição reforçando o facto da autarquia ter “investido 5,7 milhões e mesmo assim ter um saldo de gerência de 1,5 milhões de euros”.
Sobre a propalada “falta de estratégia”, António José Domingues foi lacónico: “Estratégia? Em 5 anos aumentámos sempre o investimento. Apoiámos pessoas e empresas, deixámos de arrecadar mais de 3 milhões de euros de receitas e mesmo assim fizemos os projetos que consideramos essenciais”. O autarca acusou a oposição social democrata de “tentar criar a ilusão de que em 5 anos não se fez nada”, dizendo que “é preciso ver o essencial”. Admitindo que “haverá sempre algo para melhorar”, disse estar certo “que este é o caminho” e prometeu segui-lo, mostrando esperança de que “ainda vamos a tempo de fazer o que não foi feito”.
O presidente do município ansianense mostrou-se certo de que as políticas que tem gizado “são as necessárias” e disse ter “a firme convicção de que Ansião até 2031 vai recuperar as 1600 pessoas que perdeu entre 2011 e 2021”.